Metodologia científica
Da evidência à decisão
O SIGEEI mantém separadas a identidade taxonômica, a condição da espécie no Brasil, os registros de ocorrência, o impacto EICAT, a situação local em cada UC e as decisões de manejo.
Método territorial · versão 2.0.0
Origem territorial e elegibilidade das ocorrências
A origem é decidida para cada ocorrência, sem usar EICAT: EICAT informa impacto, não natividade no Brasil. O SIGEEI aplica a seguinte precedência auditável.
- Ocorrência do Instituto Hórus explicitamente localizada: não nativa.
- Evidência oficial explícita de introdução naquele território: não nativa.
- Ponto dentro de distribuição nativa documentada: nativa e excluída das prioridades.
- Conflito entre fontes: em revisão.
- Ponto fora da distribuição conhecida, sem evidência positiva de introdução: em revisão, nunca automaticamente não nativa.
Flora e Funga do Brasil e o Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil fornecem diariamente nome aceito, identificador, versão, UFs e origem. SALVE e Instituto Hórus complementam evidências versionadas. Somente conciliações em espécie ou nível infraespecífico podem alimentar ocorrências; chaves de gênero, família ou ordem são bloqueadas.
Processamento: mudanças recalculam apenas espécies e UCs afetadas. Uma auditoria completa periódica compara o produto incremental ao cálculo integral.
Base conceitual
Lista harmonizada de invasoras confirmadas no Brasil
A lista foi construída com critérios e terminologia comuns para animais, plantas e algas. A equipe realizou revisão abrangente da literatura e de fontes de dados, com buscas em Google Scholar, SciELO e Web of Science, em português e inglês. Foram incluídas espécies explicitamente descritas como invasoras e com local invadido no Brasil.
O resultado publicado contém 444 espécies exóticas invasoras confirmadas: 254 animais, 188 plantas e duas algas. O catálogo do SIGEEI é deliberadamente mais amplo, pois também monitora espécies contidas em cultivo ou cativeiro, espécies potencialmente invasoras ainda ausentes e casos em revisão. Essas condições são identificadas separadamente e nunca são inferidas apenas pela existência de uma ocorrência.
Reconhecimento oficial · UCs federais
Lista de espécies exóticas invasoras por unidade de conservação
A lista reconhecida pela Portaria ICMBio nº 510, de 11 de fevereiro de 2025 consolida relações entre espécies exóticas invasoras e unidades de conservação federais. Para inclusão, o processo considera ocorrência confirmada fora da área natural, histórico de invasão e impacto ambiental em região introduzida.
Interpretação no SIGEEI: o reconhecimento oficial confirma a condição invasora da espécie naquela UC federal e corrobora institucionalmente ocorrências compatíveis. Não substitui a revisão individual da identificação, coordenada, data ou qualidade da fonte. Registros novos continuam seguindo a curadoria do SIGEEI e podem alimentar futuras atualizações oficiais, evitando duplicação de esforços.
Evidências georreferenciadas
Lista nacional de ocorrências
A base publicada consolida 187.160 registros georreferenciados de 489 espécies nos ambientes terrestre, de água doce e marinho do Brasil. As informações vieram de órgãos ambientais, Base de Dados Nacional de Espécies Exóticas Invasoras do Instituto Hórus, GBIF e publicações científicas.
- nomes de campos e metadados padronizados segundo Darwin Core;
- coordenadas expressas em graus decimais e harmonizadas para SIRGAS 2000/WGS84;
- registros sem coordenadas, mas com localidade suficiente, georreferenciados com incerteza documentada;
- erros terrestres, marinhos e de água doce avaliados por filtros espaciais;
- registros e identificações revisados em consultas nacionais e estaduais por especialistas entre 2021 e 2024;
- fontes, identificadores persistentes, incerteza e observações de georreferenciamento preservados.
O SIGEEI preserva a proveniência dessa base e aplica filtros adicionais conforme a escala de uso. O conjunto de dados e o código associados ao artigo também estão disponíveis no repositório original no Figshare.
Uso no SIGEEI
Qualidade, duplicidade e associação espacial
Somente registros com coordenadas podem fundamentar o mapa. Coordenadas inválidas, centroides de país ou estado e problemas graves de georreferenciamento ficam fora da evidência, mas permanecem na auditoria.
Registros em cultivo, cativeiro ou soltura são mantidos e identificados como “Cativeiro/Soltura”; os demais são apresentados como “Em vida livre”.
Registros sem data podem ser mantidos, com menor completude. A incerteza geográfica e os alertas da fonte permanecem visíveis.
Espécie, coordenadas praticamente iguais e mesma data ou localidade identificam a mesma evidência. Quando Sühs já incorporou o registro GBIF, preserva-se Sühs como fonte preferencial.
Relação com unidades de conservação
Sem incerteza informada, a associação automática só é feita quando o ponto está inequivocamente dentro do polígono. Presença espacial não equivale automaticamente a estabelecimento, invasão ou impacto.
Impacto global
Avaliação EICAT
O EICAT classifica a magnitude do impacto ambiental documentado para uma espécie em escala global. No SIGEEI, MC, MN, MO, MR e MV representam severidade crescente; DD indica dados insuficientes. A avaliação global é independente da presença e da situação de invasão em uma UC específica.
Para a priorização, o risco recebe MC = 1, MN = 2, MO = 3, MR = 4, MV = 5 e DD = 3. Avaliações recuperadas, revisões, responsáveis, verificadores, publicação e versões são preservados separadamente. Consultar o padrão EICAT da IUCN.
Espécies dentro de uma UC
Priorização de ocorrências para manejo
A adaptação do SIGEEI mantém a lógica do método publicado e substitui setores manuais por evidências espaciais. A análise é feita para cada combinação espécie–UC e os menores graus indicam maior prioridade.
Pr = Risco da espécie + Estágio da invasão + Frequência de ocorrência − 2O resultado é apresentado na escala visual de 1 a 7. Valores automáticos, revisões humanas, justificativas e autoria são mantidos no histórico.
Método oficial complementar · UCs federais
Priorização para controle e erradicação pela equipe da UC
A ferramenta do ICMBio é uma priorização pós-invasão para unidades de conservação federais. A equipe gestora responde doze critérios sobre ocupação, dificuldade e sucesso do manejo, impactos, instrumentos institucionais, parceiros e experiência da equipe. Todos os critérios devem ser preenchidos; a soma varia de 0 a 36 e valores maiores indicam maior prioridade.
Ela funciona de forma complementar ao método de Ziller et al. (2020). A análise científica automatizada é útil quando existem EICAT, estágio e frequência; a ferramenta publicada pelo ICMBio incorpora conhecimento e capacidade institucional que não podem ser automatizados. O SIGEEI mantém os dois resultados separados, identificados e versionados.
O método e os documentos publicados pelo ICMBio são oficiais para UCs federais; a implementação disponibilizada no SIGEEI não é um sistema oficial do órgão. Aplicações em UCs estaduais, municipais ou particulares devem ser identificadas como adaptações, sem atribuição indevida ao ICMBio.
Comparação entre UCs
Priorização para prevenção e detecção precoce
O método combina a probabilidade de introdução associada às vias (PI) e a pressão de colonização calculada a partir das espécies dentro e ao redor de cada área protegida (CPI). O entorno é de 10 km para UCs terrestres e 100 km para marinhas.
PCPI = ((PI + CPI × 0,05) ÷ 2) × 100O cenário híbrido combina ocorrências atuais com PI histórica e é identificado como exploratório. Somente um cenário com ocorrências e vias atualizadas no mesmo período constitui reprodução contemporânea completa.
Prevenção por processos de introdução
Rotas e vetores
A avaliação parte de 557 espécies em três condições: invasoras presentes no Brasil, introduzidas porém contidas e potencialmente invasoras ausentes, mas com risco de introdução. Evidências bibliográficas e técnicas foram interpretadas segundo a classificação de rotas adotada pela Convenção sobre Diversidade Biológica.
O artigo registra 1.296 relações de rotas e vetores. No SIGEEI, as matrizes de animais, plantas e frequências são preservadas com a linha de origem, conciliação taxonômica e versionamento. A camada é nacional e não é espacializada: ela não afirma automaticamente que uma rota esteja ativa em determinada UC. Interpretações e ações preventivas locais são registradas à parte.