SIGEEI

Metodologia científica

Da evidência à decisão

O SIGEEI mantém separadas a identidade taxonômica, a condição da espécie no Brasil, os registros de ocorrência, o impacto EICAT, a situação local em cada UC e as decisões de manejo.

O SIGEEI não é uma fonte oficial do ICMBio

O SIGEEI é uma plataforma científico-técnica de apoio à gestão, desenvolvida pela Universidade Federal de Lavras. Não constitui canal, sistema ou manifestação oficial do ICMBio e não substitui atos normativos, orientações, formulários, autorizações ou outros documentos oficiais.

Suas funcionalidades são estruturadas para aplicar a legislação e as normas vigentes. Em caso de atualização ou divergência, prevalecem sempre os atos e documentos publicados pelos órgãos competentes.

Método territorial · versão 2.0.0

Origem territorial e elegibilidade das ocorrências

A origem é decidida para cada ocorrência, sem usar EICAT: EICAT informa impacto, não natividade no Brasil. O SIGEEI aplica a seguinte precedência auditável.

  1. Ocorrência do Instituto Hórus explicitamente localizada: não nativa.
  2. Evidência oficial explícita de introdução naquele território: não nativa.
  3. Ponto dentro de distribuição nativa documentada: nativa e excluída das prioridades.
  4. Conflito entre fontes: em revisão.
  5. Ponto fora da distribuição conhecida, sem evidência positiva de introdução: em revisão, nunca automaticamente não nativa.

Flora e Funga do Brasil e o Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil fornecem diariamente nome aceito, identificador, versão, UFs e origem. SALVE e Instituto Hórus complementam evidências versionadas. Somente conciliações em espécie ou nível infraespecífico podem alimentar ocorrências; chaves de gênero, família ou ordem são bloqueadas.

Processamento: mudanças recalculam apenas espécies e UCs afetadas. Uma auditoria completa periódica compara o produto incremental ao cálculo integral.

Base conceitual

Lista harmonizada de invasoras confirmadas no Brasil

Zenni et al. (2024) ↗

A lista foi construída com critérios e terminologia comuns para animais, plantas e algas. A equipe realizou revisão abrangente da literatura e de fontes de dados, com buscas em Google Scholar, SciELO e Web of Science, em português e inglês. Foram incluídas espécies explicitamente descritas como invasoras e com local invadido no Brasil.

1 · CompilaçãoIntegração de listas, bases nacionais e literatura científica.
2 · TriagemExigência de evidência de invasão em ambiente localizado no Brasil.
3 · HarmonizaçãoPadronização dos conceitos e critérios entre grupos taxonômicos e habitats.
4 · ConsultaDuas rodadas de consulta pública e avaliação das contribuições por especialistas.

O resultado publicado contém 444 espécies exóticas invasoras confirmadas: 254 animais, 188 plantas e duas algas. O catálogo do SIGEEI é deliberadamente mais amplo, pois também monitora espécies contidas em cultivo ou cativeiro, espécies potencialmente invasoras ainda ausentes e casos em revisão. Essas condições são identificadas separadamente e nunca são inferidas apenas pela existência de uma ocorrência.

Reconhecimento oficial · UCs federais

Lista de espécies exóticas invasoras por unidade de conservação

ICMBio — documentação oficial ↗

A lista reconhecida pela Portaria ICMBio nº 510, de 11 de fevereiro de 2025 consolida relações entre espécies exóticas invasoras e unidades de conservação federais. Para inclusão, o processo considera ocorrência confirmada fora da área natural, histórico de invasão e impacto ambiental em região introduzida.

1 · CompilaçãoBases existentes, consulta ampla e consulta dirigida às equipes do ICMBio.
2 · TriagemConfiabilidade do registro, distribuição natural e evidências de impacto.
3 · ValidaçãoAnálise técnica e consulta aos Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação quando necessária.
4 · ConsolidaçãoIntegração com ciclos anteriores, remoção de duplicidades e preservação da continuidade.

Interpretação no SIGEEI: o reconhecimento oficial confirma a condição invasora da espécie naquela UC federal e corrobora institucionalmente ocorrências compatíveis. Não substitui a revisão individual da identificação, coordenada, data ou qualidade da fonte. Registros novos continuam seguindo a curadoria do SIGEEI e podem alimentar futuras atualizações oficiais, evitando duplicação de esforços.

Consultar o roteiro oficial de atualização.

Evidências georreferenciadas

Lista nacional de ocorrências

Sühs et al. (2025) ↗

A base publicada consolida 187.160 registros georreferenciados de 489 espécies nos ambientes terrestre, de água doce e marinho do Brasil. As informações vieram de órgãos ambientais, Base de Dados Nacional de Espécies Exóticas Invasoras do Instituto Hórus, GBIF e publicações científicas.

  • nomes de campos e metadados padronizados segundo Darwin Core;
  • coordenadas expressas em graus decimais e harmonizadas para SIRGAS 2000/WGS84;
  • registros sem coordenadas, mas com localidade suficiente, georreferenciados com incerteza documentada;
  • erros terrestres, marinhos e de água doce avaliados por filtros espaciais;
  • registros e identificações revisados em consultas nacionais e estaduais por especialistas entre 2021 e 2024;
  • fontes, identificadores persistentes, incerteza e observações de georreferenciamento preservados.

O SIGEEI preserva a proveniência dessa base e aplica filtros adicionais conforme a escala de uso. O conjunto de dados e o código associados ao artigo também estão disponíveis no repositório original no Figshare.

Uso no SIGEEI

Qualidade, duplicidade e associação espacial

Elegibilidade

Somente registros com coordenadas podem fundamentar o mapa. Coordenadas inválidas, centroides de país ou estado e problemas graves de georreferenciamento ficam fora da evidência, mas permanecem na auditoria.

Contexto biológico

Registros em cultivo, cativeiro ou soltura são mantidos e identificados como “Cativeiro/Soltura”; os demais são apresentados como “Em vida livre”.

Completude

Registros sem data podem ser mantidos, com menor completude. A incerteza geográfica e os alertas da fonte permanecem visíveis.

Duplicidade

Espécie, coordenadas praticamente iguais e mesma data ou localidade identificam a mesma evidência. Quando Sühs já incorporou o registro GBIF, preserva-se Sühs como fonte preferencial.

Relação com unidades de conservação

Até 1.000 massociação automática à UC1.001–10.000 mpresente no entorno, sem confirmar presença internaAcima de 10 kmsem associação à UC

Sem incerteza informada, a associação automática só é feita quando o ponto está inequivocamente dentro do polígono. Presença espacial não equivale automaticamente a estabelecimento, invasão ou impacto.

Impacto global

Avaliação EICAT

O EICAT classifica a magnitude do impacto ambiental documentado para uma espécie em escala global. No SIGEEI, MC, MN, MO, MR e MV representam severidade crescente; DD indica dados insuficientes. A avaliação global é independente da presença e da situação de invasão em uma UC específica.

Para a priorização, o risco recebe MC = 1, MN = 2, MO = 3, MR = 4, MV = 5 e DD = 3. Avaliações recuperadas, revisões, responsáveis, verificadores, publicação e versões são preservados separadamente. Consultar o padrão EICAT da IUCN.

Espécies dentro de uma UC

Priorização de ocorrências para manejo

Ziller et al. (2020) ↗

A adaptação do SIGEEI mantém a lógica do método publicado e substitui setores manuais por evidências espaciais. A análise é feita para cada combinação espécie–UC e os menores graus indicam maior prioridade.

Pr = Risco da espécie + Estágio da invasão + Frequência de ocorrência − 2
Risco da espécie (R)Derivado do EICAT global: MC 1, MN 2, MO 3, MR 4, MV 5 e DD 3.
Estágio da invasão (S)Focos locais de 1 km: contida 0, casual 1, estabelecida 2 e invasora 3.
Frequência (F)Distribuição dos focos na UC: um local 1, dois a cinco locais 2 e mais de cinco locais 3.

O resultado é apresentado na escala visual de 1 a 7. Valores automáticos, revisões humanas, justificativas e autoria são mantidos no histórico.

Método oficial complementar · UCs federais

Priorização para controle e erradicação pela equipe da UC

Manual do ICMBio ↗

A ferramenta do ICMBio é uma priorização pós-invasão para unidades de conservação federais. A equipe gestora responde doze critérios sobre ocupação, dificuldade e sucesso do manejo, impactos, instrumentos institucionais, parceiros e experiência da equipe. Todos os critérios devem ser preenchidos; a soma varia de 0 a 36 e valores maiores indicam maior prioridade.

Ela funciona de forma complementar ao método de Ziller et al. (2020). A análise científica automatizada é útil quando existem EICAT, estágio e frequência; a ferramenta publicada pelo ICMBio incorpora conhecimento e capacidade institucional que não podem ser automatizados. O SIGEEI mantém os dois resultados separados, identificados e versionados.

O método e os documentos publicados pelo ICMBio são oficiais para UCs federais; a implementação disponibilizada no SIGEEI não é um sistema oficial do órgão. Aplicações em UCs estaduais, municipais ou particulares devem ser identificadas como adaptações, sem atribuição indevida ao ICMBio.

Comparação entre UCs

Priorização para prevenção e detecção precoce

Guimarães-Silva et al. (2024) ↗

O método combina a probabilidade de introdução associada às vias (PI) e a pressão de colonização calculada a partir das espécies dentro e ao redor de cada área protegida (CPI). O entorno é de 10 km para UCs terrestres e 100 km para marinhas.

PCPI = ((PI + CPI × 0,05) ÷ 2) × 100
CPI terrestre(espécies no entorno de 10 km + 1) ÷ (espécies dentro + 1)
CPI marinha(espécies no entorno de 100 km + 1) ÷ (espécies dentro + 1)
Limiares publicados40,6 para UCs terrestres e 39 para UCs marinhas.

O cenário híbrido combina ocorrências atuais com PI histórica e é identificado como exploratório. Somente um cenário com ocorrências e vias atualizadas no mesmo período constitui reprodução contemporânea completa.

Prevenção por processos de introdução

Rotas e vetores

Ziller et al. (2026) ↗

A avaliação parte de 557 espécies em três condições: invasoras presentes no Brasil, introduzidas porém contidas e potencialmente invasoras ausentes, mas com risco de introdução. Evidências bibliográficas e técnicas foram interpretadas segundo a classificação de rotas adotada pela Convenção sobre Diversidade Biológica.

1 · EvidênciasRelações espécie–rota compiladas de literatura, bases e informações técnicas, com grau de confiança.
2 · ClassificaçãoOrganização por categoria e subcategoria da CDB, ambiente e grupo biológico.
3 · FrequênciaContagem de espécies transportadas por cada rota; as mais frequentes orientam prioridades de gestão.
4 · ValidaçãoConsulta em duas etapas com 126 participantes de órgãos públicos, universidades, organizações e setor privado.

O artigo registra 1.296 relações de rotas e vetores. No SIGEEI, as matrizes de animais, plantas e frequências são preservadas com a linha de origem, conciliação taxonômica e versionamento. A camada é nacional e não é espacializada: ela não afirma automaticamente que uma rota esteja ativa em determinada UC. Interpretações e ações preventivas locais são registradas à parte.