SIGEEI

Metodologia científica

Da evidência à decisão

O SIGEEI mantém separadas a identidade taxonômica, a condição da espécie no Brasil, os registros de ocorrência, o impacto EICAT, a situação local em cada UC e as decisões de manejo.

Base conceitual

Lista harmonizada de invasoras confirmadas no Brasil

Zenni et al. (2024)

A lista foi construída com critérios e terminologia comuns para animais, plantas e algas. A equipe realizou revisão abrangente da literatura e de fontes de dados, com buscas em Google Scholar, SciELO e Web of Science, em português e inglês. Foram incluídas espécies explicitamente descritas como invasoras e com local invadido no Brasil.

1 · CompilaçãoIntegração de listas, bases nacionais e literatura científica.
2 · TriagemExigência de evidência de invasão em ambiente localizado no Brasil.
3 · HarmonizaçãoPadronização dos conceitos e critérios entre grupos taxonômicos e habitats.
4 · ConsultaDuas rodadas de consulta pública e avaliação das contribuições por especialistas.

O resultado publicado contém 444 espécies exóticas invasoras confirmadas: 254 animais, 188 plantas e duas algas. O catálogo do SIGEEI é deliberadamente mais amplo, pois também monitora espécies contidas em cultivo ou cativeiro, espécies potencialmente invasoras ainda ausentes e casos em revisão. Essas condições são identificadas separadamente e nunca são inferidas apenas pela existência de uma ocorrência.

Reconhecimento oficial · UCs federais

Lista de espécies exóticas invasoras por unidade de conservação

ICMBio — documentação oficial

A lista reconhecida pela Portaria ICMBio nº 510, de 11 de fevereiro de 2025 consolida relações entre espécies exóticas invasoras e unidades de conservação federais. Para inclusão, o processo considera ocorrência confirmada fora da área natural, histórico de invasão e impacto ambiental em região introduzida.

1 · CompilaçãoBases existentes, consulta ampla e consulta dirigida às equipes do ICMBio.
2 · TriagemConfiabilidade do registro, distribuição natural e evidências de impacto.
3 · ValidaçãoAnálise técnica e consulta aos Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação quando necessária.
4 · ConsolidaçãoIntegração com ciclos anteriores, remoção de duplicidades e preservação da continuidade.

Interpretação no SIGEEI: o reconhecimento oficial confirma a condição invasora da espécie naquela UC federal e corrobora institucionalmente ocorrências compatíveis. Não substitui a revisão individual da identificação, coordenada, data ou qualidade da fonte. Registros novos continuam seguindo a curadoria do SIGEEI e podem alimentar futuras atualizações oficiais, evitando duplicação de esforços.

Consultar o roteiro oficial de atualização.

Evidências georreferenciadas

Lista nacional de ocorrências

Sühs et al. (2025)

A base publicada consolida 187.160 registros georreferenciados de 489 espécies nos ambientes terrestre, de água doce e marinho do Brasil. As informações vieram de órgãos ambientais, Base de Dados Nacional de Espécies Exóticas Invasoras do Instituto Hórus, GBIF e publicações científicas.

  • nomes de campos e metadados padronizados segundo Darwin Core;
  • coordenadas expressas em graus decimais e harmonizadas para SIRGAS 2000/WGS84;
  • registros sem coordenadas, mas com localidade suficiente, georreferenciados com incerteza documentada;
  • erros terrestres, marinhos e de água doce avaliados por filtros espaciais;
  • registros e identificações revisados em consultas nacionais e estaduais por especialistas entre 2021 e 2024;
  • fontes, identificadores persistentes, incerteza e observações de georreferenciamento preservados.

O SIGEEI preserva a proveniência dessa base e aplica filtros adicionais conforme a escala de uso. O conjunto de dados e o código associados ao artigo também estão disponíveis no repositório original no Figshare.

Uso no SIGEEI

Qualidade, duplicidade e associação espacial

Elegibilidade

Somente registros com coordenadas podem fundamentar o mapa. Coordenadas inválidas, centroides de país ou estado e problemas graves de georreferenciamento ficam fora da evidência, mas permanecem na auditoria.

Contexto biológico

Registros em cultivo, cativeiro ou soltura são mantidos e identificados como “Cativeiro/Soltura”; os demais são apresentados como “Em vida livre”.

Completude

Registros sem data podem ser mantidos, com menor completude. A incerteza geográfica e os alertas da fonte permanecem visíveis.

Duplicidade

Espécie, coordenadas praticamente iguais e mesma data ou localidade identificam a mesma evidência. Quando Sühs já incorporou o registro GBIF, preserva-se Sühs como fonte preferencial.

Relação com unidades de conservação

Até 1.000 massociação automática à UC1.001–10.000 mpresente no entorno, sem confirmar presença internaAcima de 10 kmsem associação à UC

Sem incerteza informada, a associação automática só é feita quando o ponto está inequivocamente dentro do polígono. Presença espacial não equivale automaticamente a estabelecimento, invasão ou impacto.

Impacto global

Avaliação EICAT

O EICAT classifica a magnitude do impacto ambiental documentado para uma espécie em escala global. No SIGEEI, MC, MN, MO, MR e MV representam severidade crescente; DD indica dados insuficientes. A avaliação global é independente da presença e da situação de invasão em uma UC específica.

Para a priorização, o risco recebe MC = 1, MN = 2, MO = 3, MR = 4, MV = 5 e DD = 3. Avaliações recuperadas, revisões, responsáveis, verificadores, publicação e versões são preservados separadamente. Consultar o padrão EICAT da IUCN.

Espécies dentro de uma UC

Priorização de ocorrências para manejo

Ziller et al. (2020)

A adaptação do SIGEEI mantém a lógica do método publicado e substitui setores manuais por evidências espaciais. A análise é feita para cada combinação espécie–UC e os menores graus indicam maior prioridade.

Pr = Risco da espécie + Estágio da invasão + Frequência de ocorrência − 2
Risco da espécie (R)Derivado do EICAT global: MC 1, MN 2, MO 3, MR 4, MV 5 e DD 3.
Estágio da invasão (S)Focos locais de 1 km: contida 0, casual 1, estabelecida 2 e invasora 3.
Frequência (F)Distribuição dos focos na UC: um local 1, dois a cinco locais 2 e mais de cinco locais 3.

O resultado é apresentado na escala visual de 1 a 7. Valores automáticos, revisões humanas, justificativas e autoria são mantidos no histórico.

Método oficial complementar · UCs federais

Priorização para controle e erradicação pela equipe da UC

Manual do ICMBio

A ferramenta do ICMBio é uma priorização pós-invasão para unidades de conservação federais. A equipe gestora responde doze critérios sobre ocupação, dificuldade e sucesso do manejo, impactos, instrumentos institucionais, parceiros e experiência da equipe. Todos os critérios devem ser preenchidos; a soma varia de 0 a 36 e valores maiores indicam maior prioridade.

Ela funciona de forma complementar ao método de Ziller et al. (2020). A análise científica automatizada é útil quando existem EICAT, estágio e frequência; o formulário oficial incorpora conhecimento e capacidade institucional que não podem ser automatizados. O SIGEEI mantém os dois resultados separados, identificados e versionados.

O método é apresentado como oficial apenas para UCs federais. Aplicações futuras em UCs estaduais, municipais ou particulares deverão ser identificadas como adaptações, sem atribuição indevida ao ICMBio.

Comparação entre UCs

Priorização para prevenção e detecção precoce

Guimarães-Silva et al. (2024)

O método combina a probabilidade de introdução associada às vias (PI) e a pressão de colonização calculada a partir das espécies dentro e ao redor de cada área protegida (CPI). O entorno é de 10 km para UCs terrestres e 100 km para marinhas.

PCPI = ((PI + CPI × 0,05) ÷ 2) × 100
CPI terrestre(espécies no entorno de 10 km + 1) ÷ (espécies dentro + 1)
CPI marinha(espécies no entorno de 100 km + 1) ÷ (espécies dentro + 1)
Limiares publicados40,6 para UCs terrestres e 39 para UCs marinhas.

O cenário híbrido combina ocorrências atuais com PI histórica e é identificado como exploratório. Somente um cenário com ocorrências e vias atualizadas no mesmo período constitui reprodução contemporânea completa.

Prevenção por processos de introdução

Rotas e vetores

Ziller et al. (2026)

A avaliação parte de 557 espécies em três condições: invasoras presentes no Brasil, introduzidas porém contidas e potencialmente invasoras ausentes, mas com risco de introdução. Evidências bibliográficas e técnicas foram interpretadas segundo a classificação de rotas adotada pela Convenção sobre Diversidade Biológica.

1 · EvidênciasRelações espécie–rota compiladas de literatura, bases e informações técnicas, com grau de confiança.
2 · ClassificaçãoOrganização por categoria e subcategoria da CDB, ambiente e grupo biológico.
3 · FrequênciaContagem de espécies transportadas por cada rota; as mais frequentes orientam prioridades de gestão.
4 · ValidaçãoConsulta em duas etapas com 126 participantes de órgãos públicos, universidades, organizações e setor privado.

O artigo registra 1.296 relações de rotas e vetores. No SIGEEI, as matrizes de animais, plantas e frequências são preservadas com a linha de origem, conciliação taxonômica e versionamento. A camada é nacional e não é espacializada: ela não afirma automaticamente que uma rota esteja ativa em determinada UC. Interpretações e ações preventivas locais são registradas à parte.