SIGEEI

EICAT ASSESSMENT SHEET

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Environmental Impact Classification for Alien Taxa

Apis mellifera

Linnaeus, 1758

CATEGORIA EICAT: MODERATE (MO) - MODERADO

Competição - monopolizando recursos, Transmissão de pragas e doenças, Hibridização, Interação com outras espécies invasoras. Compete com as abelhas nativas por pólen e néctar, levando vantagem sobre estas em função do maior tamanho, do maior raio de voo e da maior agressividade. Aumenta o nível de endogamia nas plantas, causando erosão genética de espécies nativas. Causa impacto a espécies de aves como consequência da invasão de ninhos localizados em ocos de árvores, inclusive de araras no Cerrado.

IDENTIFICATION AND CLASSIFICATION

Scientific name
Apis mellifera
Autoria
Linnaeus, 1758
Nomes comuns
abelha (Português), abelha-africana (Português), africanizada (Português), abeille domestique (Francês), honey bee (Inglês), oropa (Português)
Data da avaliação
03/05/2021
Avaliação
Global, independente de unidade de conservação
Resultado
MODERATE (MO) - MODERADO

NOMENCLATURA E CLASSIFICAÇÃO

Kingdom
Animalia
Phylum
Arthropoda
Class
Insecta
Order
Hymenoptera
Family
Apidae
Genus
Apis

PROVENIÊNCIA E REGISTRO

Pessoa responsável pela análise
Beloni Terezinha Pauli Marterer
Verificação
Não verificado
Verificado por
Não informado
Data da verificação
Não informada
Data de publicação
03/05/2021
Número da versão
3
Editor da versão atual
Não informado

RESUMO DA AVALIAÇÃO EICAT

Confiança EICAT
Média
Justificativa da confiança
Os estudos dos impactos sobre a biodiversidade em ambientes tropicais não são conclusivos quanto a possível extinção de espécies nativas.
Países/regiões de maior impacto
América do Sul; Japão; México; Estados Unidos
Locais de maior impacto
Todas as regiões do Brasil; Bonin Island, Japão; Arizona, Califórnia, Novo México, Nevada e Texas, nos Estados Unidos.
Espécies impactadas
Não informado
SÍNTESE DOS IMPACTOS

Competição - monopolizando recursos, Transmissão de pragas e doenças, Hibridização, Interação com outras espécies invasoras. Compete com as abelhas nativas por pólen e néctar, levando vantagem sobre estas em função do maior tamanho, do maior raio de voo e da maior agressividade. Aumenta o nível de endogamia nas plantas, causando erosão genética de espécies nativas. Causa impacto a espécies de aves como consequência da invasão de ninhos localizados em ocos de árvores, inclusive de araras no Cerrado.

AVALIAÇÃO COMPLETA CONFORME O EICAT

As respostas, os mecanismos, as evidências e as referências abaixo preservam a estrutura da avaliação registrada no SIGEEI.

00. O táxon exótico causou impactos ambientais?

Resposta
Sim
Mecanismo(s)
Não informado
Evidência
Não informado
Referências
Não informado

01. O táxon exótico causou reduções no desempenho de indivíduos na biota nativa?

Resposta
Sim
Mecanismo(s)
(1) Competição,(3) Hibridização,(4) Transmissão de doenças para espécies nativas
Evidência
Competição: A polinização de espécies nativas de plantas pode ser prejudicada em decorrência das visitas da abelha introduzida Apis mellifera. Isto tem sido previsto com base em registros de situações em que esta abelha impede o acesso de polinizadores nativos ou os expulsa das flores e também pelo fato dela exaurir os recursos florais. Clusia arrudae é polinizada por Eufriesea nigrohirta que busca resina em suas flores. Apis mellifera visita as flores masculinas de Clusia arrudae e remove cerca de 99 percento dos grãos do pólen da flor visitada. Quando E. nigrohirta visita flores já visitadas por A. mellifera ela carrega em seu corpo menos de 0.1 percento dos grãos de pólen carregados por abelhas que visitam flores ainda não visitadas por A. mellifera. Isto pode explicar porque a frequencia de A. mellifera em flores masculinas é negativamente correlacionada com a quantidade de sementes produzidas por flores femininas. Esta é uma situação que pode afetar outras plantas que oferecem recursos alternativos para o polinizador, como resinas, óleos, e compostos aromáticos. Carmo, (2004) Transmissão de doenças: O ácaro Varroa jacobsoni, ectoparasita de crias e adultos de operárias e zangões de abelhas melíferas, tem como hospedeiro original a Apis cerana, uma abelha asiática que demonstrou equilíbrio na relação parasito-hospedeiro com esse ácaro. Com a importação de abelhas Apis mellifera da Europa para a Ásia, o ácaro passou a infestar também colônias dessa abelha. Esse ácaro tornou-se cosmopolitano em sua distribuição e hoje é encontrado em todas as regiões temperadas e tropicais do mundo, com exceção da África Central e África do Sul, Austrália e Nova Zelândia (Griffiths e Bowman, 1981 apud Corrêa-Marques, 1996), constituindo atualmente grande problema para a apicultura mundial (Corrêa-Marques, 1996). ( Delariva & Agostinho, 2008)
Referências
Carmo, R. M., Franceschinelli, E. V., & Silveira, F. A. (2004). Introduced Honeybees (Apis mellifera) Reduce Pollination Success without Affecting the Floral Resource Taken by Native Pollinators. Biotropica, 36(3), 371–376. doi:10.1111/j.1744-7429.2004.tb00329.x; Delariva, R. L., & Agostinho, A. A. (2008). Introdução de espécies: uma síntese comentada. Acta Scientiarum. Biological Sciences, 21, 255-262. https://doi.org/10.4025/actascibiolsci.v21i0.4431;

02. O táxon exótico causou declínio no tamanho da população de alguma espécie nativa?

Resposta
Sim
Mecanismo(s)
(1) Competição,(3) Hibridização,(12) Impactos indiretos via interações com outras espécies
Evidência
Hibridização: A abelha-italiana (Apis mellifera ligustica) tornou-se dominante no Brasil até a chegada das africanas. Em 1956, com a introdução da abelha-africana (Apis mellifera scutellata) e o posterior escape desta, iniciouse a fase de africanização (hibridação). Em 1976, virtualmente todas as colônias de abelhas melíferas no Brasil tornaram-se africanizadas. De São Paulo, essas abelhas propagaram-se por toda a América do Sul e América Central, alcançando os Estados Unidos. Sua presença comprometeu a permanência das espécies nativas (Spivack, et al., 1991; Rinderer et al., 1993). ( Delariva & Agostinho, 2008) Impactos indiretos: The Bonin (Ogasawara) Islands are oceanic islands located in the northwest Pacific, and have ten native (nine endemic) bee species, all of which are nonsocial. The European honeybee (Apis mellifera), which was introduced to the islands for apiculture in the 1880s, became naturalized in a few islands shortly after introduction. To detect the impact of the honeybees upon native bee diversity, we analyzed pollen harvest by honeybees and surveyed the relative abundance of honeybees and native bees on flowers on several islands. Both hived and feral honeybee colonies were active throughout the year, harvesting pollen of both native and alien flowers and from both entomophilous and anemophilous flowers. Honeybees strongly depended on the alien plants, especially during winter to spring when native melittophilous flowers were rare. From June to November, honeybees exhaustively utilized native flowers, which had originally been utilized and pollinated by native bees. On Chichi and Haha Islands, where human disturbance of forests has been severe, both native and alien flowers were dominated by honeybees, and native bees were rare or extinct even in well-conserved forests. In contrast, on Ani Island and Haha's satellite islands where primary forests were well conserved and honeybees were still uncommon or absent, native bees remained dominant. These results suggest that competition for nectar and pollen of the native flowers between honeybees and native bees favors honeybees on the disturbed islands, which are thoroughly invaded by alien nectariferous, sometimes aggressive, weedy plants. (Kato, 1999)
Referências
Kato, M., Shibata, A., Yasui, T., & Nagamasu, H. (1999). Impact of introduced honeybees, Apis mellifera , upon native bee communities in the Bonin (Ogasawara) Islands. Population Ecology, 41(2), 217–228. doi:10.1007/s101440050025; Cairns, C. E., Villanueva-Gutierrez, R., Koptur, S., & Bray, D. B. (2005). Bee Populations, Forest Disturbance, and Africanization in Mexico1. Biotropica, 37(4), 686–692. doi:10.1111/j.1744-7429.2005.00087.x; Delariva, R. L., & Agostinho, A. A. (2008). Introdução de espécies: uma síntese comentada. Acta Scientiarum. Biological Sciences, 21, 255-262. https://doi.org/10.4025/actascibiolsci.v21i0.4431;

03. O táxon exótico causou a extinção local de pelo menos uma população de alguma espécie nativa?

Resposta
Não
Mecanismo(s)
Não informado
Evidência
Não informado
Referências
Não informado

04. A extinção local observada é reversível ou irreversível se o táxon exótico for removido?

Resposta
Nenhuma extinção registrada
Mecanismo(s)
Não informado
Evidência
Não informado
Referências
Não informado

INFORMAÇÕES ADICIONAIS DA AVALIAÇÃO

Vias de introdução/dispersão
Agricultura, Pessoas trocando recursos naturais, melhoramento animal, auto-propagação
Comentários e informações adicionais
A picada pode causar reações alérgicas em pessoas sensíveis. Dependendo do número de ferroadas pode ser fatal. O ataque por enxames pode provocar a morte de animais e de pessoas. Desvalorização da meliponicultura. Quando criadas com técnicas apropriadas é economicamente viável para a produção de mel. Ocupa o espaço de abelhas nativas, que produzem um mel de maior valor no mercado, embora em menor quantidade.
Referências adicionais sobre impactos
Moritz, R. F. A., Härtel, S., & Neumann, P. (2005). Global invasions of the western honeybee (Apis mellifera) and the consequences for biodiversity. Écoscience, 12(3), 289–301. doi:10.2980/i1195-6860-12-3-289.1; Santos, G.M.M., Aguiar, C.M.L., Genini, J., Martins, C.F., Zanella, F.C.V., Mello, M.A.R. (2012) Invasive Africanized honeybees change the structure of native pollination networks in Brazil. Biol Invasions (2012) 14:2369–2378 DOI 10.1007/s10530-012-0235-8 https://scholar.google.com.br/scholar?cluster=6956309653246088274&hl=pt-BR&as_sdt=0,5
Bases de dados consultadas
GISD,GRIIS,CABI Invasive Species Compendium,Base de dados Nacional (Instituto Hórus)
Comentários taxonômicos
Não informado

NOTAS DE INTERPRETAÇÃO PARA O SIGEEI

PRESENÇA NÃO É IMPACTO LOCAL

Esta ficha representa uma avaliação global da espécie. Ela não declara, por si só, que Apis mellifera esteja estabelecida, invasora ou causando impacto em uma unidade de conservação específica. Essa distinção deve ser registrada separadamente pelos gestores e especialistas responsáveis pela unidade.

REFERÊNCIAS

  • Moritz, R. F. A., Härtel, S., & Neumann, P. (2005). Global invasions of the western honeybee (Apis mellifera) and the consequences for biodiversity. Écoscience, 12(3), 289–301. doi:10.2980/i1195-6860-12-3-289.1; Santos, G.M.M., Aguiar, C.M.L., Genini, J., Martins, C.F., Zanella, F.C.V., Mello, M.A.R. (2012) Invasive Africanized honeybees change the structure of native pollination networks in Brazil. Biol Invasions (2012) 14:2369–2378 DOI 10.1007/s10530-012-0235-8 https://scholar.google.com.br/scholar?cluster=6956309653246088274&hl=pt-BR&as_sdt=0,5
  • Carmo, R. M., Franceschinelli, E. V., & Silveira, F. A. (2004). Introduced Honeybees (Apis mellifera) Reduce Pollination Success without Affecting the Floral Resource Taken by Native Pollinators. Biotropica, 36(3), 371–376. doi:10.1111/j.1744-7429.2004.tb00329.x; Delariva, R. L., & Agostinho, A. A. (2008). Introdução de espécies: uma síntese comentada. Acta Scientiarum. Biological Sciences, 21, 255-262. https://doi.org/10.4025/actascibiolsci.v21i0.4431;
  • Kato, M., Shibata, A., Yasui, T., & Nagamasu, H. (1999). Impact of introduced honeybees, Apis mellifera , upon native bee communities in the Bonin (Ogasawara) Islands. Population Ecology, 41(2), 217–228. doi:10.1007/s101440050025; Cairns, C. E., Villanueva-Gutierrez, R., Koptur, S., & Bray, D. B. (2005). Bee Populations, Forest Disturbance, and Africanization in Mexico1. Biotropica, 37(4), 686–692. doi:10.1111/j.1744-7429.2005.00087.x; Delariva, R. L., & Agostinho, A. A. (2008). Introdução de espécies: uma síntese comentada. Acta Scientiarum. Biological Sciences, 21, 255-262. https://doi.org/10.4025/actascibiolsci.v21i0.4431;

Financiamento: Projeto Estratégia Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção - (GEF Pró-Espécies) Todos contra extinção. Componente 3 - Prevenção, detecção precoce e resposta rápida de espécies exóticas invasoras.

Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras
Brazilian National Strategy for Invasive Alien Species
GEF Pró-Espécies — Todos contra a extinção
GEF Pró-Espécies — Todos contra a extinção

Fonte da ficha: SIGEEI - https://sigeei.ufla.br